segunda-feira, 28 de junho de 2010

INCAPAZ DE AMAR

  Seguraste a minha mão
levaste-me para longe de mim
e lá, esmagaste meu coração
desta forma cruel...assim.

  Disseste que eu era tudo
fizeste me sentir um nada
mas sei que fui sobretudo
sem duvida...enganada.

  Pressentindo o perigo,
quis fugir, quis partir,
quis não estar contigo
...pediste-me para não ir.


  Porque o quiseste,
se no fundo não querias?
Porque o disseste
 se o não sentias?


  Para poderes tu dizer
não é isto que eu quero?
Para poderes defender
o egoismo do teu Ego?


  Foste honesto, dizes-me tu
não não foste, digo-te eu.
Inventar motivos a cru
não explica o que aconteceu.


  As verdadeiras razões são tuas,
minhas as duvidas e a mágoa,
olhando para as minhas mãos nuas
húmidas desta triste água...


  Dizes que comigo é diferente
mais fraterno e profundo.
Mas que amor este ausente
que te toca assim tão fundo?


  Tantas questões por responder,
tantas respostas sem nexo,
tantas coisas queria dizer
mas não tem agora reflexo.


  Fico-me sem entender
Deixo-te ir como queres
ficarei sem compreender
porque és assim com as mulheres.


  Mas isso tambem não importa
"onde se fecha uma janela
abre-se outra..ou uma porta!"
para atravessar através dela...


No meu coração não existe
espaço para a crueldade
nem a alma resiste
porque isto nem é liberdade.


É uma fuga permanente
de estar bem com alguém,
de permanecer ausente
numa terra de ninguém


Não suportar ficar
Não querer permanecer
Viver sempre a deixar
Estar só até morrer


Vale tudo para justificar
causas para partir
Nem que seja inventar
Nem que seja fingir.


Fingir que tudo ficará bem
que é melhor assim
que a solidão é também
uma opção até ao fim


E pelo caminho mais mulheres
vais voltar a magoar
por descobrires que não queres
voltar um dia a amar...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

AUTENTICIDADE

  Naquela noite derradeira,
de forma meiga e sorrateira,
                     pediste-me autenticidade.

  Disse-te o que querias,
confirmei o que sabias,
                    mas dolorosa é a verdade.

  Disse-te o que quis e o que não quis,
tudo para te fazer feliz,
                   mas confundes lealdade.

  Porque a verdade não te interessa
e a mentira tem sempre pressa,
                  na fuga à liberdade.

  Porque ter o outro na mão,
para proteger o coração,
                 é pusilaminidade.

  O outro não se escraviza,
o outro não se normaliza,
                 o outro é responsabilidade.

  Assim te deixo por escrito
aquilo em que acredito,
                 se para ti uma mentira, para mim uma verdade:

  Se algum dia tiveres,
vão ser muitas entre as mulheres
                 que te vão fazer a vontade.

  Vão-te dizer o que aprecias,
vão te dar alegrias,
                 mas será isso verdade?

  Cuidado com o que desejas,
porque se a isso almejas
                 pode tornar-se realidade.

  A quem pede para ser enganado,
espera um longo e triste fado
                que confunde com fidelidade.

  A mulher não é diferente,
nem o homem omnipotente,
                pois isso é uma maldade.

  Para a mulher que mente
para o homem que não sente
                a busca é uma eternidade.

  São dois rostos submetidos
dois corações iludidos
                sem qualquer intimidade.
 
  Porque para ser verdadeiro,
é preciso de tudo primeiro,
                largar a conformidade.

  Pois é preciso ter coragem,
para ser rei e não pagem,
                nesta triste humanidade.

  Se algum dia puderes
largas todas as mulheres
               e encaras a realidade.

  E de ti me despeço
porque esmola não peço
               a quem não reconhece a verdade.

  Se hoje escrupuloso,
espero que amanhã audacioso
               te recordes com saudade,

que houve quem teve coragem
de destruir uma imagem,
              para conservar Autenticidade..

SE e TALVEZ

Se um anjo viesse
pousar na minha mão,
dar-lhe ia se quisesse,
talvez,  meu coração.

Se ele aos meus ouvidos
de amor  falasse,
palavras, sons sentidos,
talvez eu o amasse.

Se meus cabelos tocasse,
suas caricias falassem,
e á minha alma clamasse,
talvez meus olhos o mirassem.

Se um anjo viesse
pousar no meu coração,
talvez ou não lhe desse,
para ficar, uma razão.

Se meus lábios beijasse
e aí permanecessem,
se minhas mãos ele tocasse,
talvez a par se aquecessem.

Se um anjo viesse,
se ele ficasse,
se ele quisesse,
se ele me amasse,
talvez eu deixasse...

domingo, 16 de maio de 2010

SEM COMPROMISSO

Sem compromisso
foi o que disseste
e tudo o que me deste
foi-se num sumiço.
Não existindo tu e eu
então o que morreu?

Algo se desvaneceu...
Mas o que não existe
que não é meu nem teu,
do que não se desiste
se não aconteceu,
não há pena, não nasceu.

Então que aconteceu?
Porque algo se perdeu,
não para ti ,mas para mim.
Porque tens medo assim?
Medo de quê? De seres meu?
Do para sempre, até ao fim?

Mas não há sempre, só fim!
Cada sempre é um instante,
cada fim é permanente,
cada passo errante
se o amor está ausente.
Por medo de compromisso?

Para quê o desperdício?
Compromisso para estares
no meu olhar , no meu sorriso,
para te reencontrares
no brilho do meu riso,
para dizer tu e eu...só isso.

Mas não há tu e eu,
nem compromisso.
Apenas um espaço imenso
que surgiu entre nós,
num lugar sem senso
em que permanecemos sós.
Apenas tu e apenas eu.
Apenas isso.

F.V.

CRESCER

  Não é fácil crescer,
num mundo em que para viver
é preciso deixar de ser!
  Encontrar a mim próprio,
e viver na verdade,
enfrentado desdém ou ódio,
é cometer a importunidade
de ter algo que é nosso.
 E viver só num mundo
em que ser eu não posso,
causa-me um vazio tão profundo
quanto o fundo de um poço.
  Poço esse que encerra
no seu interior um segredo,
que a ninguem se revela
não sei se por reserva ou medo.
  Mas parecer o que não sou,
quando outros são o que pareço,
faz-me sentir que estou
mais perto de crescer
num mundo em que sou
e em que me deixo viver.

ENFERMAGEM

  Ouvir por momentos escassos,
o chorar de uma criança,
que encolhida no seu leito, ouve passos,
no aconchego de um milagre de esperança .
  Olhar na cadeira do fundo o velho,
entre cobertores e lembranças,
que de vincadas rugas e olhar profundo,
revive esperando uma morte mansa.
  Estender  a mão para ajudar
alguém em sofrimento.
  Abrir os braços para consolar
tanta dor, tanto tormento.
  Amparar dentro do peito
quem nos quer e nos procura
e aceitar com respeito
quem nos foge ou nos segura.
  Sentir no peito o sabor amargo
de ver sofrer ...e sofrer.
  Dentro, a responsabilidade de um encargo:
salvar a vida e viver.
  Viver noite e dia,
sonhar alto para alcançar
a eterna alegria
de viver para dar.
  E na humildade de um serviço,
ter afecto e coragem,
e no momento preciso
saber o que é...a Enfermagem.

sábado, 15 de maio de 2010

Amor


  Abri os olhos e vi,
pensei que sabia, enganei-me.
  Abri os lábios e sorri
e contra o teu peito estreitei-me.
  Corri as mãos pelo teu corpo,
enchi o peito de alegria
 e através do meu olhar absorto
eu finalmente te via.
   Beijei teus lábios quentes
e senti o teu corpo tremer
e nos meus lábios dormentes
senti a paixão doer.
  Adormeci nos teus braços,
em pé e acordada
e por momentos escassos,
ficámos os dois de mão dada.
  Olhámo-nos os dois com carinho
e os teus olhos choraram
e bem juntos , bem pertinho,
os nossos corações se juntaram.
  Perdêmo-nos no tempo,
na amizade, na ternura, no calor,
de tanto sentimento,
perdêmo-nos para sempre
na inconstância do amor...

SOLIDÃO


Ah! Solidão, Solidão,
que me imperas desde sempre,
és a minha perdição
agora e eternamente.

Lutar só e nascer,
com a força de um grito.
Lutar para viver,
num mundo interdito.

Crescer e descobrir
a própria existência,
estar só e existir
com devoção e paciência.

Viver na morbidez de uma moral
e na imperiosidade do sucesso,
querer lutar, levar a mal
e resumir-me ao que não peço.

Estas correntes que me amarram
á frigidez duma prisão,
foram aquilo que alcançaram
as trevas da servidão.

Oh ,solidão, solidão!
Resignar-me nos teus braços,
isolar-me na razão
ou cortejar os teus traços.

Perder-me no sossego,
aprender, ver, sonhar,
querer ir onde não chego
para poder alcançar.

Segurar a minha fé
e alcançar a liberdade
numa vida de ré
e ser o que sou de verdade.

E na fresta duma existência,
gritarei com fulgor,
na multidão a ausência
de compreensão e amor.

Ah! Clamarei meus ideais,
pedirei em altos brados,
serei muito, muito mais,
viverei sem enfados.

Sonhar, planear, querer,
na detenção de um retiro,
querer ser e não ser
aquilo que eu admiro.

Mas no canto do meu peito,
criarei forças, tentarei
combater o que não aceito
e finalmente serei.

Ah! Solidão, solidão!
No dia em que morrerei,
encontrarei a solução e
finalmente te vencerei!

F.V.

TER-TE


Fosse a vida um livro,
cada página que se vira
cada capítulo que se segue...
Fosse cada promessa cumprida,
cada momento de amor solene,
cada memória querida.
Sonhos! Que o vento não leve...

  Fosse a vida um teorema!
Mas cada página é uma incerteza,
cada capítulo uma surpresa...
   Mas ao ter-te amigo,
cada escolha pode ser ouro,
cada fim duradouro,
cada gesto um diadema,
cada emoção uma beleza,
cada sentimento um tesouro
e cada história...um poema.

F.V.

SER


  São os projectos força instigadora
da potencialidade do meu ser,
são os sentimentos a alma reveladora
da minha fúria de viver.
   Sou os sonhos em que me perco
e as experiências porque passei,
sou fraca na revolta em que me aperto
e resistente na resignação que cultivei.
  Sinto no sangue o entusiasmo da aventura,
na carne o prazer que me instiga.
Sinto a consciência que me domina e me segura
e a sua mestria impulsionadora e amiga.
  Nos pensamentos em que me embalo
educo a serenidade do meu viver.
No altruismo em que me regalo
revelo a magnificiência de ser.
 Pareço aquilo  que todos divisam,
mas sou o que poucos sentem,
nas tristezas e alegrias que se aliam
SEREI destemidamente para sempre...

F.V.