Naquela noite derradeira,
de forma meiga e sorrateira,
pediste-me autenticidade.
Disse-te o que querias,
confirmei o que sabias,
mas dolorosa é a verdade.
Disse-te o que quis e o que não quis,
tudo para te fazer feliz,
mas confundes lealdade.
Porque a verdade não te interessa
e a mentira tem sempre pressa,
na fuga à liberdade.
Porque ter o outro na mão,
para proteger o coração,
é pusilaminidade.
O outro não se escraviza,
o outro não se normaliza,
o outro é responsabilidade.
Assim te deixo por escrito
aquilo em que acredito,
se para ti uma mentira, para mim uma verdade:
Se algum dia tiveres,
vão ser muitas entre as mulheres
que te vão fazer a vontade.
Vão-te dizer o que aprecias,
vão te dar alegrias,
mas será isso verdade?
Cuidado com o que desejas,
porque se a isso almejas
pode tornar-se realidade.
A quem pede para ser enganado,
espera um longo e triste fado
que confunde com fidelidade.
A mulher não é diferente,
nem o homem omnipotente,
pois isso é uma maldade.
Para a mulher que mente
para o homem que não sente
a busca é uma eternidade.
São dois rostos submetidos
dois corações iludidos
sem qualquer intimidade.
Porque para ser verdadeiro,
é preciso de tudo primeiro,
largar a conformidade.
Pois é preciso ter coragem,
para ser rei e não pagem,
nesta triste humanidade.
Se algum dia puderes
largas todas as mulheres
e encaras a realidade.
E de ti me despeço
porque esmola não peço
a quem não reconhece a verdade.
Se hoje escrupuloso,
espero que amanhã audacioso
te recordes com saudade,
que houve quem teve coragem
de destruir uma imagem,
para conservar Autenticidade..
quinta-feira, 27 de maio de 2010
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