num mundo em que para viver
é preciso deixar de ser!
Encontrar a mim próprio,
e viver na verdade,
enfrentado desdém ou ódio,
é cometer a importunidade
de ter algo que é nosso.
E viver só num mundo
em que ser eu não posso,
causa-me um vazio tão profundo
quanto o fundo de um poço.
Poço esse que encerra
no seu interior um segredo,
que a ninguem se revela
não sei se por reserva ou medo.
Mas parecer o que não sou,
quando outros são o que pareço,
faz-me sentir que estou
mais perto de crescer
num mundo em que sou
e em que me deixo viver.


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